Adolfo Aizen

Adolfo Aizen (nascido em Juazeiro, Bahia, em 1907, e falecido na cidade do Rio de Janeiro, em 1991) foi um dos principais responsáveis pela popularização dos quadrinhos no Brasil. Aos 15 anos, mudou-se para o Rio de Janeiro e em 1933 tornou-se jornalista do "O Malho".

Viajando aos Estados Unidos com o objetivo de fazer uma reportagem sobre a vida a bordo de um navio turístico, narrando o dia a dia dos passageiros, Aizen reparou, ao término da viagem, que os "comics" faziam grande sucesso naquele país. No Brasil, as HQs existiam apenas em revistas como "O Tico-Tico", em um modelo tirado dos semanários infantis franceses. A visita de Aizen aos Estados Unidos coincidiu com uma revolução nos quadrinhos onde personagens como Flash Gordon e Tarzan estavam fazendo sucesso (anteriormente os personagens mais populares seguiam o estilo Pafúncio & Marocas/"Bring-Up Father"). Em um encontro com os executivos da King Features Syndicate comprou os direitos para publicação no Brasil dos personagens representados por esta agência. Retornando ao Brasil, Adolfo Aizen foi à busca de patrocinadores e em 1934 lançou o seu Suplemento Juvenil, publicando Jim das Selvas, Flash Gordon, Mandrake, Terry e os Piratas e Tarzan. O sucesso foi imediato e em menos de 2 anos Adolfo Aizen já era financeiramente independente dos patrocinadores. Porém, com a Segunda Guerra Mundial iniciada em 1938, houve escassez de papel e ele teve que vender a empresa. Com o fim da guerra, em 1945, Aizen fundou a EBAL (Editora Brasil América Ltda), que publicava tanto revistas de quadrinhos estrangeiros quanto adaptações de clássicos da literatura. E as produções nacionais da Ebal foram muitas, quase todas sobre vidas de santos (Série Sagrada) e quadrinizações de romances (Edições Maravilhosas), com exceções como o personagem Judoka. A série Edições Maravilhosas começou com a republicação do Classics Illustrated americano, mas logo se iniciou a quadrinização de romances brasileiros e portugueses, com boa regularidade. Artistas como Nico Rosso e Le Blanc, entre outros, mantiveram assim uma produção regular de quadrinhos brasileiros. Muitas das capas eram feitas por Antônio Euzébio e tinham um visual bastante avançado para a estética da época. Com o personagem "Judoka", Aizen quis experimentar o gênero judô, comprou o personagem "Judô Master" da Charlton para fazer um teste. Com o sucesso conseguido, a partir do número 7 foi criado o personagem brasileiro Judoka. Um rapaz tímido e fraco que não conseguia se defender, até que salva um velhinho de um atropelamento. O velhinho, um mestre de artes marciais, lhe ensina a lutar. Assim, o Judoka torna-se um super-herói brasileiro e passa a combater o crime. Mais tarde, Lúcia, sua namorada, torna-se a Mulher-Judoka. A revista do Judoka tinha uma seção mantida com fotos de academias de verdade, sendo leitura obrigatória para os praticantes de artes marciais da época. Os roteiros eram escritos por Pedro Anísio (roteirista de novelas de rádio) e havia um rodízio de desenhista. Desta forma a EBAL caracterizou-se não apenas como a mais importante editora de quadrinhos da história brasileira, imprimindo até 40 revistas por mês, como incentivadora da produção nacional e reveladora de novos talentos. Além de Nico Rosso, Le Blanc e Pedro Anísio, muitos outros artistas foram descobertos e lançados pela EBAL, como o Ota (que ficaria famoso com a versão brasileira da MAD) e que colaborou com muitas informações deste verbete. fonte: OTA + GibIndex.com