Do Inferno (From Hell)

"Do Inferno" (From Hell) história da dupla Alan Moore (roteiro) e Eddie Campbell (arte), já adaptada para o cinema, reconstrói os passos do inventor da franquia dos serial killers: Jack, o estripador.

Alan Moore, considerado um dos melhores roteiristas de sua geração, alçado ao estrelato com sua contundente visão dos super-heróis apresentada em Watchmen, tem em seu curriculum histórias como V de Vingança e Batman: A Piada Mortal. Reconhecidamente um crítico feroz de sua sociedade (como já havia demonstrado em V de Vingança), Moore não poupa ninguém, jogando lama na Scotland Yard, na Corôa Inglesa, nos nobres, na Imprensa, na Maçonaria e até nas prostitutas. A história é extremamente violenta, tanto gráfica quanto psicologicamente, permeada por um erotismo explícito e decadente, que acaba sendo uma surpresa para o leitor habitual de sua obra.

A arte de Eddie Campbel, um escocês, atuante na produção independente de quadrinhos desde os anos 70, foi criticada duramente por alguns comentaristas, enquanto outros viram em Do Inferno, um artista no auge de sua forma, com um traço personalíssimo e, pleno domínio da "arte sequêncial". A história é escura, sombria e a arte de Campbell passa com objetividade o terror da Londres vitoriana, com a sua arquitetura gótica e a decadência dos personagens.

No final de cada volume o leitor encontra “aulas” sobre a arquitetura, história e política inglesa. Nestes apêndices Moore explica de onde tirou as falas dos personagens, os eventos narrados, as manchetes dos jornais, os fenômenos meteorológicos, os nomes citados, as personalidades apresentadas e mais. Um interessante trabalho de reconstrução, onde ele registra até as participações especiais do mágico Aleister Crowley e de William Merrick o "O Homem-Elefante".

Em entrevistas, Moore e Campbel, contaram alguns detalhes interessantes sobre a produção de Do Inferno: A história consumiu algo próximo de 10 anos para ser concluída, enfrentando especialmente problemas com editoras. Foi censurada na Austrália, por sua violência extremada. E embora fosse originalmente prevista para ter apenas 16 capítulos com oito páginas cada, o resultado final ficou com mais de 500 páginas (a edição brasileira, publicada pela Via Lettera está dividida em 4 volumes com uma média de 150 páginas). fonte: Fragmento de um artigo original de Rubens Menezes, publicado pela revista Sci-Fi News, na coluna Comics.