Benedito Carneiro Bastos Barreto (Belmonte),
nasceu em 15 de maio de 1896 e faleceu em 19 de abril de 1947, em São
Paulo. Desenhista chargista e caricaturaista atuante na imprensa brasileira
entre as décadas de 20 a 40 do século XX, foi muitas vezes censurado
durante o governo de Getúlio Vargas, o que fez com que
voltasse sua pena contra o Nazi-Fascismo (o que também lhe rendeu perseguições).
Belmonte publicou na Folha da Tarde e Folha da
Manhã o personagem Juca Pato em 1925, aliás um dos
princípais alvos da censura do Estado Novo.
Em 1981 o cineasta Ivo Branco produziu um premiado curta metragem sobre o chargista.
Abaixo os informações referentes ao curta
BELMONTE - SINOPSE
A partir de publicidades, fotos e imagens filmadas, o documentário nos
introduz no “clima” da São Paulo anos 20: apesar de seu “ar”
pretensamente europeu, é ainda uma cidade provinciana. Mas a burguesia
crescente já cultiva suas formas de lazer e, entre elas, o teatro, o
cinema e a leitura das revistas de humor e caricatura, da crônica mordaz,
da sátira política e de costumes.
Nas páginas da “Revista da Semana”, “A Careta”,
“Frou-Frou”, “Dom Quixote”, entre outras, o nome do
caricaturista Belmonte vai se firmando.
Em 1925, na Folha da Noite, cria o personagem que iria consagrá-lo como
o grande caricaturista paulista da época: Juca Pato.
O filme acompanha a trajetória desse artista do lápis, marcando
sempre a ligação do seu trabalho com os momentos históricos
do seu tempo.
Seguindo à risca a função social do caricaturista, espécie
de bobo da corte, crítico e gozador das podridões do reino, não
poupou os políticos, as crises, a corrupção.
Por isso mesmo foi perseguido pelas tesouras do Estado Novo. Já então
seria um precursor das “receitas de bolo” ou “poemas de Camões”
dos tempos da ditadura militar, trocando suas charges por desenhos aparentemente
sem sentido.
Durante a segunda Guerra Mundial, seu lápis se voltou contra o nazismo
e o fascismo, na defesa dos ideais democráticos. Tais charges cruzaram
fronteiras irritando Goebbels e seus asseclas.
Amante confesso de sua cidade, o filme reconstitui o último passeio que
fez, já doente, pelas ruas de São Paulo, em 1947.
Logo depois, morria Belmonte.
BELMONTE
1981 / 35mm / 11 minutos |
PREMIAÇÕES
- Melhor
Curta Metragem - IX Festival do Cinema Brasileiro de Gramado / 1981
-
Representante Oficial do Brasil - 5º Festival des Films du Monde
- Montreal / Canadá / 81
-
Melhor Filme Cultural - VII Festival Internacional Del Nuevo Cine Latinoamericano
/ Havana / 86
|
FICHA TÉCNICA
Produtores:
Alfredo Palácios / Kinoart Filmes Ltda. - Ivo Branco
Argumento, roteiro e direção: Ivo Branco
Pesquisa e Produção Executiva: Rebeca Mc
Mello
Reproduções Fotográficas: João
Sócrates e Alício M. Santos
Table - Top: Alex Santos e Luiz Wanderley
Montagem: Roberto Leme
Músicas: Coitado do Juca Pato; Saias Curtas; Toca
o Bond; Melancia
Interpretadas por: Chiquinho Brandão (flauta)
e Luis Reyes Gil (clarineta)
Narração: Rodrigo Santiago
Laboratório de Imagem: Revela
Laboratório de Som: Odil Fonobrasil Bitola: 35mm
/ Processo: p & b
Duração: 10'40'' / Metragem: 311 mts.
Ano de Produção: 1981 |